Sobre férias

Leia ouvindo: Sea Wolf – Old Friend

Acho que realmente estou precisando de férias. Férias de tudo, de todos. A vontade é apertar o botão desligar por um tempo e aproveitar o ócio, dar a mão ao tédio e tomar um chá.

Ansiedade e seus males. Quero tudo para ontem e cobro isso de todos à minha volta. Mimada e controladora demais, eu sei. Não sou boa com escolhas, mas sou ótima com os meus defeitos. Sei de todos e assumo. É melhor olhar no espelho e saber exatamente o que se tem, do que se esconder atrás de coisas bonitas aos olhos dos outros.

Crescer doeu e ainda dói. A vida adulta com os seus mistérios e chatices me irrita. Tudo é jogo, política, dança de cadeiras e principalmente, sujo. O sistema consome uma boa parte da minha energia. Todo dia eu acordo acreditando e durmo na mentira. É muita decepção para pouca vida. O mundo quer te colocar lá pra baixo, mas você insiste em ir para superfície e ver qualé que é.

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Se hoje eu pudesse escolher, preferia ser uma eterna criança de cinco anos. O mundo dos contos de fadas, a dúvida entre sabores do sorvete, minhas bonecas, minha casa na árvore, minha mamadeira e meu sono de rainha durante a tarde. Escolhas simples que não podem ser aplicadas na vida adulta, porque volto a dizer, tudo é jogo, muito pior que o Poker talvez.

Não é esperar uma vida perfeita, longe disso. É só querer relações mais honestas e menos estratégicas. Ouvir mais a emoção e calar a razão quando ela mais gritar. Tentar viver de maneira mais leve e menos cobrada. Mandar os padrões para a puta que pariu e criar regras próprias. Aquela vida de quando a gente coloca a cabeça no travesseiro, utópica.

Depois de certo desabafo, a gente volta para as férias, cria um destino, mil planos em 30 dias, relaxa e desliga um pouco. Fingimos que por 30 dias está tudo bem, que a ansiedade passou, que o lado bom da vida é justamente esse do merecimento e ligamos o botão novamente.

Não importa o que aconteça, a vida só muda quando a gente muda. Como isso é mais difícil de acontecer, voltamos para aquele padrão lá de cima, e voltamos para o discurso que precisamos de férias, decepções e blá, blá, blá.

Que Deus nos proteja do tédio, que o estômago dure com tanta ansiedade e que aquela criança de 5 anos não morra dentro desse adulto de alguns tantos anos. Que as nossas prioridades não sejam números na conta e nem a beira da praia. Que os extremos estejam sempre com a gente e que a sabedoria nos ajude no meio termo. Por fim, que a gente não se perca em meio a emoção do momento e nem se esconda atrás de uma razão concreta. Que a gente escolha ser feliz sempre, aproveitando a vida todo santo dia e não em 30 dias de férias.

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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