Sobre o futuro e outras coisas

Leia ouvindo: U2 – Beautiful Day

Ando muito pensativa. Ando muito assustada também. É época de eleição, e hoje entendo perfeitamente a preocupação que os meus pais tinham nesses períodos. Eu era pequena e não entendia por que minha mãe fazia estoque de determinados produtos, nem porque meu pai investia dinheiro em outros lugares e não na poupança.

Hoje eu entendo a sensação de insegurança em relação ao macro e não ao meu micro-mundo. Hoje eu entendo também porque eu preciso ser exemplo para aqueles que estão ao meu redor e entendo melhor ainda que o poder apodrece pessoas. Você pode até parar de ler o texto por aqui principalmente por achar que ele vai falar de política, ou você pode continuar lendo se você quiser refletir sobre o futuro. A escolha é sua.

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[ Imagem: reprodução ] 

Eu não vou falar de política, vou falar de pessoas. Ando pensativa, assustada e apreensiva em relação a tudo, mas principalmente com o poder. Ele estraga pessoas. Ninguém tem maturidade para ter poder. Uma palavra tão bonita e tão mal usada em contextos. Você pode ter tudo aquilo que quiser, mas você não será poderoso por isso. Bruno Astuto, um dos jornalistas que mais admiro, escreveu um texto formidável na GQ BRASIL de dezembro passado, edição n. 33:

“Que as grandes fortunas foram feitas em silêncio e a velha guarda dos bilionários às vezes é flagrada até viajando numa classe econômica. Não sei porquê, mas boa parte dos homens mais ricos que conheci tinham a camisa meio surrada e, quando tinham avião, sempre era em sociedade com amigos. E jamais entraram numa Ferrari ou sabem o que é um camarote de boate. A não ser que tenham sociedade na boate, é claro.

Um dia, perguntei a um poderoso amigo Francês por que os ricos de sua terra eram discretíssimos em relação à dinheiro, a ponto de jamais tocar no assunto e levar uma vida de classe média. Num surto de sinceridade, meu amigo, cujas filhas só ficaram sabendo aos 30 anos que o pai tinha um avião, disse: ” Tão perigosa quanto a inveja é a capacidade de o ser humano achar que chegou ao topo. Quando ele acha que pode tudo, começa o fim.”

Bruno resume em poucas linhas aquilo que eu mais acredito, dinheiro e poder não formam caráter, não compram dignidade e não te fazem melhor do que ninguém. E levando muito disso para o futuro, seria mais ou menos assim, qual exemplo você quer deixar para o seu filho, neto, afilhado, amigo, enfim, alguém especial? Em algum momento nós perdemos a sanidade e esquecemos que somos exemplos para aquelas pessoas que convivemos. Se você joga papel na rua, corta fila no supermercado, não dá bom dia para o porteiro, precisa saber o que uma pessoa faz para saber o quão interessante ela é, e acha que dinheiro compra tudo, sinto em lhe dizer, talvez você precise rever suas atitudes.

Não é questão de ser politicamente correto, é questão de pensar no todo. Volto a dizer, o dinheiro corrompe as pessoas. O poder faz todo o estrago restante com elas.

Foi pensando no futuro que no domingo à noite desliguei o fantástico e abri o blog para escrever. Me bateu uma angustia, uma sensação de impotência barata e um certo nojo de pensar no que o poder faz com as pessoas. Tenho medo de dormir e acordar em um país que para “ser alguém” é necessário ter algum tipo de ligação com o governo. Tenho medo de não poder ser livre. Tenho medo de notícia manipulada. Tenho medo do fanatismo religioso. Tenho medo dos próximos 4 anos. 8 anos. Tenho medo de política e economia.Tenho medo do mundo. Mas medo maior eu tenho é de gente.

Domingo a noite foi feito para pensar. Segunda-feira, de planejar. O que você quer para o futuro? Que exemplo você quer dar? O que você pretende fazer para melhorar? De uma coisa eu tenho certeza, é sozinho que se começa mas o movimento é junto. O futuro de muitos depende do presente de outros tantos.

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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