Sobre os caras que tive | 10 anos

Leia ouvindo: The Middle East – Deep Water

Não me lembro exatamente como nos conhecemos, aconteceu. Ele era 10 anos mais velho, bem resolvido, exigente com aquela que ele escolheu para ter ao lado, apreciava detalhes, roqueiro de uma tigela inteira e músico de violão. Não foi difícil gostar dele apesar de um mundo de idade distante. Gostar não é o problema, conviver sim. Não demorou para as discussões começarem e o controle da parte dele dominar uma quase relação que deu certo.

Era nova demais para me prender à alguém. Depois de algum tempo entendi que na verdade errei de verbo, não era prender, e sim cuidar. Aprendi com ele, depois que alguns anos se passaram, que cuidar e conviver andam juntos e que muitas broncas que ele me deu faziam total sentido.

Ele via em mim a mulher de hoje, apesar da minha teimosia em achar que eu realmente era dona do meu nariz e ótima em escolhas. Continuo sendo tudo isso, ponderamente. Ele seria um bom namorado e confidente, mas obviamente que eu não quis assim e foi melhor. A gente tem que apanhar da vida para ver quem nos fez bem, nos quer bem.

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Não temos mais muito contato, mas ele sempre vai ser um cara especial. Sempre que na playlist toca a nossa música abro um sorriso cheio de graça, esses dias achei entre os meus livros, um que ele me deu, “o ponto da virada” e eu chorei. Chorei não de saudade ou de tristeza. Caíram lágrimas emocionadas carregadas de tentativas. Ele sempre tentou me mostrar que eu tinha tantas qualidades perto de míseros defeitos, que ele acreditava em mim e sabia que tudo aquilo que fazia era uma maneira de me preparar para o quê estava por vir. Parece que ele realmente havia conhecido a mulher de hoje, cheia de viradas e dona daquele nariz cheio de sardas que ele sempre gostou.

Parece pacto, duas vezes por ano nos falamos, nos respectivos aniversários. Não existe um ano que passa em branco. “Feliz aniversário para as sardas. Tá feliz?” . “Feliz aniversário para o violão. Tá feliz?”. E assim os anos se passam com a diferença de não existir mais história, mas sim carinho e admiração. Nunca fomos namorados, sempre fomos nossas escolhas repentinas. Nunca imaginei que 10 anos fizessem tanta diferença. Nunca pensei que com o passar dos anos fosse valorizar tantas brigas por um motivo simples, bem querer.

Ele sabe que eu continuo com a minha teimosia. Eu sei que ele continua turrão. Ele talvez tenha sido um dos caras mais legais com quem aprendi valorizar o simples. Silêncio, violão e alma. Não importa quanto tempo passe, talvez 10 anos, alguns meses, o aniversário dele logo logo está ai, o carinho continua.

Sobre os caras que tive, aprendi a ter admiração. Anos podem se passar, março e setembro continuam sendo meses especiais para a gente, a nossa quase-história também.

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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