Sobre os caras que tive | Aquele da virada

Leia ouvindo: Kaskade – Angle On My Shoulder

Se eu pudesse resumir a nossa pequena grande história seria mais ou menos assim: viradas.

Ele surgiu num momento da minha vida que eu não esperava. Era pura crise e ele tentou me dar a mão no meio do caos. Obvio que eu não dei a mão e passei pelo período turbulento sozinha. Teimosia minha, escolha também. Ele não precisava passar por aquilo. Não comigo, não naquela situação.

Continuou a me apoiar, a me dar bons conselhos e sempre enxergando em mim uma mulher que eu demorei para ver. Me apeguei a ele, mas não na sua mão. Não foi fácil o lado dele, e pior era o meu. Eram horas no telefone, mensagens trocadas o dia todo, uma rotina rara e feliz. Sim, apesar de tanta confusão, fui feliz por um curto período de tempo.

Eu escolhi o meu caminho e fiz ele aceitar que era melhor assim. Deixei ele ir sem o coração estar partido. Não tinha futuro e também não era presente. Foi estranho, confesso. Era importante na minha rotina, mas não na minha vida. Não chegou a ser amor, não bateu paixão, mas tinha afeto, apego e carinho. Uma bonita confusão.

{ Imagem reprodução }
{ Imagem reprodução }

E lá fomos nós, cada um para o seu lado. Cada um com a sua melhor escolha. A sensação do adeus não doeu. Existem aquelas pessoas que passam pela vida da gente para ser virada. Chegou, transformou e foi embora. Passou do “time”, virou a esquina. A rotina virou amizade. Minha vida com ele, se resume em conselhos. “Puta ideia massa!”, “Gostei do namorado novo”, “Você faz as coisas darem certo”, ” Aquele cara não é bom negócios.” Entre tantas outras coisas. Hoje, compartilhamos cotidiano. Ele continua me achando louca. Eu continuando achando ele um bom amigo.

Existe gente que chega para ser amor, outras para virarem amizade. Ele foi o cara que participou da minha virada. Talvez o único que entendeu o mapa que nem eu entendi, a escolhi que não fiz, a reviravolta que aconteceu por aqui. Algumas coisas não mudam, o zelo que se tem por alguém é uma delas.

E vai continuar sempre assim:

– Acho que vou conseguir ir no seu aniversário esse ano. – Digo eu com absoluta certeza.

– Dúvido. É coisa sua não vir. – Diz ele também com absoluta certeza.

É, ele tem razão. Nunca vou. Moramos longe. Mas todo ano, eu ligo e desejo com o mesmo zelo de sempre tudo de bom que ele merece.

Assinatura_Ju

Juliana Manzato
Últimos posts por Juliana Manzato (exibir todos)

Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Voltar ao topo