Sobre os caras que tive | O babaca arrependido

Leia ouvindo: Gui Boratto – No Turning Back

Não sou bem resolvida, mas tenho histórias para contar. Conheço muita gente, saí com alguns garotos, de perfis bem diferentes, assim como você deve ter saído. Passamos a vida experimentando, até achar aquele que agrada e que acreditamos valer à pena. Não era o caso dele.

Ele era caso antigo, conheci na adolescência. Morávamos em cidades diferentes, mas era comum falar 1 vez por semana ao telefone. Óbvio que era eu que ligava muito mais. Saudades dessa época que eu me jogava nas relações sem para-quedas ou medo de altura. Era óbvio também que eu não queria namorar com aquele cara chato do outro lado da linha, seis anos mais velho, fazendo faculdade de Física, morando em outra cidade e vivendo uma vida boêmia que sinceramente, eu não fazia questão de conhecer. Foi uma aventura. Cada um para o seu lado: eu para o vestibular, ele para a formatura da faculdade.

Os anos passam e a gente se esbarra. Fazemos uma secunda tentativa frustada de encaixe, era a minha época de faculdade. Primeiro ano de Publicidade, livros caindo na minha cabeça, muitas festas para ir e uma turma animada para seguir. Existem aquelas épocas que a gente não precisa de ninguém. O primeiro ano de faculdade é uma dessas.

Costumo dizer que alguns erros beijam bem demais para serem deixados de lado. A teimosia chega mais perto, um novo reencontro. Agora os dois mais velhos, um pouco mais resolvidos. Ele já tem entradas no cabelo, indícios de um cara maduro, trinta e poucos anos, formado em duas faculdades, emprego bacana… e daí a gente pensa: Por quê não?

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Em tempo, o “Por quê não?” costuma ser o início do fim. Insistir no mesmo erro, apesar de beijar bem, é burrice. As pessoas não mudam e só melhoram quando elas querem. Claro que essa não foi a escolha dele. Ele foi babaca. Não se entra ou sai da vida de alguém como se passa nas catracas do metrô, poxa! Eu tentei, ele foi frouxo. O babaca nunca sofre em tempo presente. Fato comprovado. O babaca sofre depois que os anos passam e ele vê aquilo que perdeu, e o quê ela se tornou. Insiste em se aproximar daquela mulher que um dia ele teve e obviamente não valorizou. Respeite o futuro da moça, por favor!

O babaca arrependido aparece naquelas quintas-feiras de Happy Hour com as amigas, ou no horário do beijo de boa noite no namorado. Aparece na porta do antigo apartamento com flores, mas mal sabe que ela se mudou dali. Manda e-mails insistentes com “oi”, “Fala comigo”, “Quero te ver” e todos eles, não tem resposta. O babaca sempre fica com o silêncio.

Toda mulher já teve um babaca arrependido. Todo homem já foi um. É um ciclo. Um vício. Talvez amor. Platônico, claro. A verdade é que ele não precisa ser o babaca, e ela não precisa optar pelo silêncio. Na hora da discussão, sem panos quentes. D.R é longa, a vida é breve (Salve Xico Sá!). Não importa, só não seja um babaca arrependido e nem deixe a sua vida pautada no “é tarde demais”.

Se foi, já foi. Não insista ou persista. Babaca sempre encontra a dignidade perdida. Assuma o erro e não repita. Por que babaca arrependido, no final sempre fica sozinho.

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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