Sobre os caras que tive | O coxinha

Leia ouvindo: The Neighbourhood – Let It Go

Quando apareceu o termo “Homem-coxinha” eu ri. Ele se encaixava perfeitamente nessa linha dos caras que até parecem descolados, mas se afundam em padrões da sociedade e pólos da Lacoste. É um pré-julgamento, eu sei, mas o termo o definiu bem.

Fomos apresentados por uma amiga. Eu estava numa fase de querer conhecer alguém legal e no começo ele me pareceu esse cara. Culto, viajado, carinhoso, trabalhador, bonito, entre outras qualidades. Obvio que o tempo foi passando e quando a gente vê, nada é como a gente gostaria. Me vi saindo com um cara machista, engomado e que esperava de mim, um comportamento de mulherzinha. Que obviamente eu não tenho.

Não tenho nada contra essas mulheres que eu costumo chamar carinhosamente de “Nude”. Um padrão de roupa, comportamento, modo para falar, andar, as marcas que usa, os lugares que frequenta, enfim, eu estava longe de ser o padrão que ele queria. Eu me misturo, bebo, solto alguns palavrões, gosto de butecos, tenho amigos de diversos níveis sociais, uso roupas no estilo que eu gosto sem me importar se é ou não de marca, não falo baixo e não uso colar de pérolas ou saia midi, simplesmente por nada disso combinar comigo.

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Mas o “Homem coxinha” não quer saber exatamente o quê você quer, ele quer impor. Cobra que você se comporte do jeito que a sociedade que está ao redor dele quer, só para te aceitarem. Não demorou muito para termos as primeiras discussões e ele perceber que não tenho vocação para lidar com gente “nude” demais e nariz para o alto. Minha educação não foi essa, meu jeito de viver não é esse e eu não estava afim de abandonar meu valores para levar adiante um relacionamento que era óbvio, ia dar errado.

Mulher é o bicho, sexto-sentido não falha. Eu sabia que não ia passar de 3 meses, bingo. Quando lancei o quê ele esperava de mim e principalmente da gente, ele deu dois passos para trás alegando pressão. Eu sabia que ele não conseguiria sair de tal saia justa, justamente por estar acostumado com mulheres que esperam pelo “tempo” dele e fazem tudo do jeito que ele quer. Meu comportamento não foi padrão, ele espanou, igual parafuso.

Naquele dia, o jantar não desceu direito. Não tinha problema, foi um alívio ser assim. Confesso que até tinha a ilusão dele começar à aceitar meu jeito e minhas sinceridades. Mulher ama os verbos “achar” e  “tentar”, desistir é sempre uma opção camuflada à frustração.

Aprendi com o Homem coxinha que eu não sirvo para o “nude” porque prefiro estampas, que eu vou continuar sendo independente, falando alto, bebendo cerveja e frequentando butecos sujinhos de shorts e chinelo havaiana. Sabe, tem coisas na vida que não é motivo de vergonha e sim orgulho. Aceitar os nossos valores é uma delas. Você precisa abrir mão de muitas coisas em um relacionamento, menos de ser quem é.

Me desculpe a Lacoste, o colar de pérolas, a saia mídi e o “nude”, mas sou feliz mesmo usando minhas saias longas estampadas, meus brincos grandes e a minha jaqueta de couro. Sou feliz por ser assim, exatamente como sou e não há homem no mundo, que vai mudar isso.

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

4 comentários em “Sobre os caras que tive | O coxinha

  1. Ju, adoro os seus textos, mas esse foi um encaixe perfeito com o que vivi esses dias. Parabéns, pelos textos, perfeitos!!

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