Sobre os caras que tive | Pegada

Leia ouvindo: The Black Keys – Howlin’ For You.

O nosso assunto nunca começou com palavras, uma troca de olhares bastava. Logo, eu já não sabia onde eu terminava para começar você. Ali éramos um. Um toque em qualquer parte do meu corpo era o suficiente para meu corpo inteiro arrepiar, a pupila dilatar e a vontade de ter você colado em mim aumentar.

Era eu, você e mais ninguém. No nosso momento os problemas pareciam não existir, as palavras também. Nunca precisei dizer tudo aquilo que eu queria, você sempre teve certeza dos movimentos que fazia. Era coisa de pele mesmo. Era na cama que nos entendíamos bem.

Uma química única entre duas pessoas tão comuns. Você sempre me irritou muito no convívio, nas miudezas diárias, mas quem precisava delas quando você chegava ‘chutando a porta’ e olhando daquele seu jeito. Nunca fui a melhor pessoa para resistir à você.

O meu não acabava no seu sim. Você sempre conseguiu o que queria. Eu sempre fiz questão de deixar claro o interesse no que eu queria, você. Era um querer mútuo e uma pegada continua. Como bons amantes que éramos, sabíamos dos pontos fracos. Era um jogo de provocações que começa na mesa do bar, continuava nas escadarias do nosso prédio e terminava no lugar que a gente mais gostava de se encontrar, cama.

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[ Imagem: reprodução ] 

Toda mulher tem um cara que mexe com os seus mais profundos instintos. Nessas horas dá para perceber que jamais deixamos de ser animais. É a lembrança que fica depois que o outro vai embora, é a química de ter encontrado alguém que finalmente não precisa de explicações, só de acompanhar o movimento do seu corpo sabe tudo aquilo que você quer.

É isso que marca. É isso que fica. É lembrando de tudo aquilo que você sabia sobre mim, que dá saudade. Você me conhecia melhor do que eu mesma. Sabia por qual caminho me levar. Sabia onde me encontrar. Sabia também que só os arrepios não bastavam, era preciso rotina. Nunca nos demos bem na nossa. Tentamos de todas as maneiras, justamente porque aquilo que nos tirava dela era melhor do que qualquer outra coisa. Éramos bons no quase silencio à dois.

Química boa em rotina ruim não dá certo. Tentativas machucadas para manter amor onde tinha muito mais tesão. Um não vive sem o outro, esse conselho é velho. Mas no amor, mais do que qualquer cama desarrumada é preciso de barulho. Sempre fomos dos quietos. Silêncio demais atrapalha. É estupido eu sei, mas paixonite passa e deixa tamanha saudade.

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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