Sobre os caras que tive | Pele

Leia ouvindo: Lana Del Rey – Blue Jeans

Nunca soube explicar exatamente o quê ele tinha, mas só de pensar na nossa história meu corpo arrepia. O corpo dele era meu descanso preferido. Homem e mulher, perfeitas (ou erradas) escolhas. As nossas não duram tanto tempo assim, mas lembro com saudade de tudo.

Ele apareceu quando eu menos esperava, me beijou quando eu nem imaginava e quando tinha tudo para dar errado, a gente acreditou que podia dar certo. Era questão de pele, abraço, um peito confortável para acordar no domingo e compartilhar vontades durante a semana.

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Com ele, eu torcida pelo próximo final de semana, fazia planos e criava surpresas. Queria vestir suas camisetas e acordar com abraço apertado no domingo. Queria encontro de peles, arrepios e frio na barriga. Nada de extraordinário. Não demorou para rolar um certo envolvimento e seguirmos por direção opostas. Não que eu quisesse, e nem ele, mas sem afeto suficiente, a história acaba em frustração. Não existe conquista que resista ao medo de se envolver.

Quando o corpo fala, o coração não manda. Razão dominou, eu ia me machucar. Tivemos nossa despedida num final de semana de verão, pura poesia. Quando ele foi embora eu sabia que não existia volta,  ficou ali uma história bonita, com o melhor de nós dois, a entrega. Independente de tudo, eu sabia que naqueles finais de semana juntos ele era meu, e eu era dele. Maior intimidade que essa não há.

Ele foi a minha aula de química preferida. Funcionava perfeitamente numa teoria bonita, na pratica era comodidade de ambas as partes. Existem caras que são assim, afetos passageiros. Aparecem para serem aquelas loucuras gostosas de viver e depois vão embora. Não era amor, mas tinha entrega. Não era paixão, mas tinha química. Não tinha futuro, estava de passagem. Não tinha um bocado de coisas, mas ele foi meu amor à flor da pele.

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

10 comentários em “Sobre os caras que tive | Pele

  1. Inacreditavelmente estava e estou ouvindo a musica de sugestão pra leitura! Telepatia… Enfim, perfeita!

  2. Juliana,
    descobri hoje seus textos. Li todos da série “sobre os caras que tive” e outros. Sua sensibilidade é incrível para tocar em questões que sentimos e muitas vezes passam despercebidas. Mas melhor do que isso é sua análise e conclusão sobre os sentimentos que determinadas situações nos trazem à tona. Parabéns, você é realmente uma poeta!!
    Bjos

    1. Oi Carol, tudo bem?

      Super obrigada pelo carinho, fico feliz que tenha descoberto o blog agora, Bem-vinda sempre, viu?

      Super beijo <3

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