Sobre primeiros encontros

Leia ouvindo: The Head and the Heart – Another Story

Não sei se sou boa com primeiros encontros. Acho que desaprendi dar as mãos, olhar nos olhos e sair de casa com o coração realmente aberto. Escudos e armaduras são itens obrigatórios. Eu sei que isso é errado, mas que atire o primeiro coração aquela que não anda desconfiada de relacionamentos, tentativas e palavras.

“Será que ele realmente não fala isso para todas?”, “Porque ele decidiu sair comigo?”, “O whatsapp dele não para.”, “Ele não me olha nos olhos.”, e tantas outras coisas passam pela nossa cabeça. Depois do primeiro drink, vem outros, mais perigosos. Uma dose de insegurança, misturada à dúvidas, com toques de esperança e desvios de assuntos, para ficar um pouco mais forte e emocionante.

Não é fácil marcar primeiros encontros, ir à eles é uma verdadeira prova de obstáculos que começa na escolha da roupa e esbarra no último drink, que termina logo depois do beijo de despedida. Que pode se estender no convite para subir e seguir nos demais dias da semana ou simplesmente acabar ali.

Criamos expectativas para curvas. O quê será que vem depois? Nunca se sabe. Coração ansioso não abraça paciência. Frustração anda junto com a gente, amor. Uma pena eu sei. Eu também queria voltar à pular cada vez mais alto, mas o medo de me machucar grita. Maldito.

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É necessidade máxima dar os primeiros passos sem criar grandes vales de expectativa, mas a realidade é outra. Primeiro encontro é como pisar em lago congelado, nunca se sabe onde vai estar a primeira rachadura e morrer congelado sempre é uma – das primeiras – opções.

O copo sempre pode virar na mesa, a alface sempre pode ficar ali no meio do dente, a piada sobre tal assunto pode cair mal, o prato pedido pode não estar tão gostoso, o papo pode não ser legal, uma ligação estranha no celular pode aparecer, seu ex pode estar no mesmo restaurante, a luz pode acabar, o garçom pode atender mal, mas a esperança…não acaba. Entre traumas e pequenas tragédias, todos saem vivos. Cada um para o seu canto ou de mãos dadas.

O final não é realmente importante quando a gente entende que ter histórias para contar e rir de cada uma delas é fundamental para viver. Primeiros encontros podem ser únicos, últimos ou eternos encontros. O destino escolhe, a expectativa existe e a esperança não morre. Na verdade, ela é sempre a primeira em viver.

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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