SOLTE A BRUXA

O que esperar do penúltimo mês, de um ano tão atípico? Refleti bastante sobre expectativas e mergulhei fundo em autoconhecimento. Talvez você devesse fazer o mesmo.

Leia ouvindo: Florence + The Machine – Sky Full Of Song 

Um arrepio, seguido de um sussurro. “Solte a bruxa, minha querida”. Era manhã cedinho e estava cuidando das minhas plantas. Apesar de não ter entendido muito bem o que aconteceu naquela pequena fração de tempo, um riso frouxo me mostrou o nirvana. Poucas vezes na vida, senti tamanha paz de espírito. Momentos como esse, pelo menos para mim, são sinais sutis do Divino.

“Solte a bruxa”. Nem preciso dizer, reverberou por alguns dias. O que isso significava afinal? Fuçando em outras perguntas, encontrei um amontoado de possíveis respostas. Fazia algum tempo que havia amordaçado algumas emoções, deixado de rever algumas situações e esquecido completamente de me alimentar de conexões mais profundas.

Soltar a bruxa era tirar a mordaça e ouvir todo o barulho que aquilo que poderia causar. Era puxar uma cadeira e conversar. Me ouvir. Me abraçar também. Observar. Revisitar memórias foi inevitável, e precioso. Dolorido e necessário. Encontrei nas raízes, a força necessária para seguir, sem me sabotar. Sem a régua lá em cima, mas completamente consciente do “não mereço menos do que isso”.

O amor-próprio pode ser arapuca perfeita para o ego plantar sementes camufladas por sessões de autocuidado. Eu amo o momento dos cremes e banho demorado, mas também acho que autocuidado é olhar para o prato que comemos, para nossas emoções, para nossas escolhas, para o dia ruim, para o grupo de amigos, para os hábitos alimentados diariamente.

Amor-próprio é, antes do amor, acolhimento próprio. É aquele nosso lugar seguro depois dos apuros. Onde encontramos emoções não tão saudáveis, mas ali, e só ali, podemos liberá-las sem julgamento – inclusive o nosso. É o nosso limite-zero, é onde convidamos o Divino para jantar. Também é onde silenciamos o celular e desconectamos da matrix. Deve ser o único lugar que não se importa muito com um feed harmônico, quiçá, harmonização facial.

No bloco da bruxa solta, expectativas são tratadas como reflexões. Se faz sentido, faz sentir – e não tem a ver com ansiedade, tem a ver com fluidez.

Ilustração: @imposteuse

O fluir é independente, um agente empoderador que transforma a ânsia do querer, em poder. A conexão acontece, e não há planeta retrógrado que traga dúvidas ou desespero. Toda crença que limita, depois do fluir, se torna contos lúdicos de tudo aquilo que não precisamos ser, mas precisamos vez – e sempre, orar e vigiar.

O que esperar quando já estamos esperando?

Solte a bruxa, minha querida. O polarizado custa muito caro, ouça a bruxa, solte a bruxa, deixa ela te levar pelo caminho do meio. Aquele caminho que é só seu, fluído, florido, fácil, alegre e tão desejado. A gente pode ter tudo. Inclusive é nesse momento que você percebe que o “não aceito menos que isso”, é o único ~ limite ~ aceitável.

Não é o ano ou o novo mês, é só soltar a bruxa. Vai por mim.

Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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