Taxi amigo

Conheci o Seu Luiz pelo acaso – aquele acaso que depois de um tempo, entendemos que de acaso, não tem nada. Seu Luiz é taxista, acostumado a levar e trazer gente, para lugares e também para a vida de outras pessoas. É o mestre dos encontros, desencontros, reencontros. Um cara de bom papo, educado, simpático, brincalhão e que ama contar as peripécias da neta, que está naquela fase serelepe, aprendendo a andar. Eu adoro taxistas e suas histórias. Na minha opinião, histórias melhores que dos taxistas, só de cerimonialista de casamento.

Pois bem, o Seu Luiz entrou na minha vida em um dia de pressa e de tormento. Foi anjo guardião e virou amigo. É com o Seu Luiz que eu me abro, que me encontro, que recebi os conselhos de um pai que eu nunca tive. As conversas duram o tempo das corridas em meio a minha correria, mas são muito melhores do quê as de muitas amigas.

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Seu Luiz é pai de família, marido carinhoso e avô dedicado. Uma figura que me fez chorar na anti-véspera do natal com palavras bonitas e abraço apertado. Que torce por mim como um amigo de anos, que sempre me surpreende lembrando das últimas conversas que tivemos e quer saber como andam as coisas. Trabalho, família, amor. O Seu Luiz é o cara.

“Ju, tá prosperando? Menina, tem que trabalhar duro mesmo. Sabe o meu filho? Então… ” Ganhei um taxista e a família dele. Ganhei um amigo e o amor dele. Toda vez que eu fico uma semana sem aparecer, ele me liga para saber se está tudo bem. Nos dias da pressa, “acerta depois”. Nos dias de perrengue, eu ganho abraço. Tratamento vip, em meio ao caos. Um pouco de paz, em meio ao trânsito. Um pouco de vida nos dias cinzas. Seu Luiz é na alegria e na tristeza, na pobreza ou na riqueza, na corrida de táxi ou sem ela.

É Seu Luiz, quem diria que eu ganharia um amigo e você “uma filha, depois de dois meninos”. São coisas assim que te fazem ver que diante de tanto mal, existe o bem. Que ser simpática com quem está ao seu redor te faz uma pessoa melhor, afinal, você nunca sabe qual surpresa está te esperando e que sinceramente, não importa o que ou quanto de dinheiro você tem na vida, mas sim, quem você escolhe para vivê-la com você.

No fundo, o que importa mesmo é que o acaso é sempre muito mais bonito do que os finais felizes que a gente imagina. E que sinceramente, ter um taxista favorito em dias ruins faz uma puta diferença. Valeu Seu Luiz!

Assinatura_Ju

 

Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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