TE TRAI

Leia ouvindo: Phoenix – 1901 

Assumir uma traição é sempre a parte mais difícil, primeiro por que você vai sempre negar para si mesmo os porquês e segundo e mais óbvio, a escolha foi feita e não existe a opção “voltar atrás”. Traição é forte até de falar. Imagina só bater de frente bem ali, na linha tênue onde vivem os relacionamentos ruins envolvidos com carências afetivas bizarras.

Demoramos para perceber ambos. Sempre achamos que está bom e pior mesmo é ficar sozinho, principalmente num mundo onde os amigos estão casados, namorando ou pirando em alguma festa ruim. A traição começa onde termina a admiração. Se o outro deixa de ser admirável, pronto, o instinto parece querer suprir essa falta buscando em novos olhares um motivo de interesse.

O problema não é o coito, é a falta de lealdade. Esqueça traição e fidelidade, estou falando de algo maior, algo transformador e destruídor de verdade. Quebrar o laço de lealdade com alguém é o começo do fim. Volto a dizer, não é o coito, é o dia a dia. Quando a procura por novos olhares ou palavras digitadas em janelas do whatsapp se tornam mais interessantes do que aquele alguém que está do seu lado acredite, vai piorar.

Fotografia: Paulo Manzato Jr,

O interesse pelo sexo fora do relacionamento não pode ser pior do que o interesse por aquele outro quem, que veja só, está completamente fora do seu relacionamento. Quando a peça extra do jogo se torna interessante, não pelo envolvimento corporal mas no dia a dia, adeus lealdade! Adeus todas aquelas coisas bonitas que fazem parte de uma base sólida de relacionamentos.

Vai desabar!

Não existe nada pior do que perceber que acabou a admiração. Que acabou o amor também. Não existe nada pior do que encontrar em um outro alguém a admiração perdida no relacionamento que é presente.

É traição!

A traição não começa no beijo ou no sexo, ela termina ali. A traição começa no interesse pelo outro. Na porta aberta em conhecer o novo e ainda assim querer continuar no velho.

É confuso eu sei. Eu também já trai. Já me vi num relacionamento x, admirando y. Não cheguei em beijo, sexo e afins, mas trai, mesmo que em pensando, quem eu escolhi. E a admiração não é pelo trabalho ou pela postura em si, é pela relação homem x mulher mesmo. O quão interessante era x até parecer y. O quanto a convivência com x me fez admirar ainda mais y.

O amor acaba todo dia, sabe? É só misturar admiração ao dia a dia. Uma conversa a mais e pronto, já estamos na linha tênue dos relacionamentos ruins envolvidos com carências afetivas. Será mesmo que os nossos relacionamento são ruins ou nossas carências afetivas maiores que tudo isso? É possível ser leal num mundo onde as pessoas parecem admiráveis o tempo todo?

Quando a traição se torna comum é sinal de que alguma coisa está bem errada.

Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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