Tempos diferentes

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por @Aninha Ruiz

Nos culpam de sermos imediatistas nos dias de hoje. Dizem que queremos tudo pra ontem e que nos achamos velhos muito cedo, muitas vezes aos vinte e poucos anos. Dizem ainda que queremos abraçar o mundo e conquistar tudo antes dos trinta.

Dizem que somos depressivos, estressados, que trabalhamos demais, dormimos pouco, falamos muito. Que hoje queremos tudo e amanhã não queremos nada. Que pensamos demais para tomar as decisões e logo após, que somos impulsivos e não medimos as conseqüências.
Que somos a geração dos fast-foods, da cerveja, das baladas, da academia e da comodidade. Quanta contradição, quanta confusão…
Não direi que estão errados. Nunca! Concordo com tudo isso mas, pensando um pouco sobre o assunto…

Percebo que há alguns anos, a ligação era cara, então escreviam-se cartas para saber das novidades, que demoravam semanas para retornar. Hoje temos e-mails, que chegam e ficam velhos em algumas horas, amanhã, pode ser tarde demais para responder.

Eu conheci a internet no início da adolescência, isso porque fui uma das primeiras entre as amigas a ter um computador em casa, com internet discada que só podia usar aos domingos, pois era nova demais pra esperar a meia noite e conectar. Hoje as crianças de seis anos já colorem desenhos da Barbie ou do Ben 10 pela telinha, jogam vídeo-game na live, onde atiram nos inimigos ou tocam numa banda.

Há dez anos, talvez vinte, só os esforçados faziam faculdade, era caro, ficava longe, ninguém precisava disso para um bom emprego. Hoje, em cada esquina temos uma nova faculdade, cada vez com preços mais acessíveis e alunos mais novos. Tenta pedir emprego sem ter estudado…! Vai lá amigo… tenta!

Nessa mesma época, demorava-se anos para subir de cargo, para aumentar o salário e o grande orgulho de alguém, principalmente dos pais de família, era dizer que trabalhava há muitos anos naquela empresa, desde que era um broto, hoje, vemos uma corrida por empregos diferentes, melhores, com mais benefícios e quase não vemos alguém que tenha cinco ou dez anos de casa. E se tem, garanto, não tem orgulho algum disso pois, é mais provável que seja comodidade do que conquista.

Nos cobram, para estágio ou primeiro emprego, faculdade, inglês, espanhol, experiência, internet, gastronomia, unhas feitas, roupa da moda, barba feita e um animal de estimação. Oi?

Que fique claro, não sou a favor da vulgarização do amor, dos pensamentos enlatados e tão pouco da vida bandida, corrida, exaurida que levamos hoje, mas é complicado nos cobrarem comportamentos iguais em tempos diferentes.

Fly Away

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2 Comments

  1. Thais says

    Concordo plenamente! Os tempos mudam, e as pessoas tbm, precisamos nos adequar a era em que vivemos. Infelizmente nem todos pensam como nós! Mais uma vez, excelente texto!

  2. Dayane Amaro Costa says

    Que linda abordagem. Consegui me enxergar nesse texto,lembrei dos meus tempos de net discada quando menina, eu torcia pra domingo chegar logo pra que eu pudesse acessar o site da barbie e da turma da mônica, eram sempre os mesmos joguinhos, mas, era tudo tão interessante, sem contar que nessa época eu tinha que dividir o computador com o meu irmão, então domingo era mesmo um dia de disputa, mas que tempo bom, passou! E agora nos adaptamos de novo, e mais tarde mais histórias pra contar, a mudança é boa sim!
    Beijos Aninha

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