Tempos Líquidos

Leia ouvindo: Hozier – Work Song

É cada vez mais frequente ouvirmos histórias de pessoas que “largaram tudo” e estão em busca de uma vida mais plena, mais leve, mais contemplativa. Certamente conhecemos alguém que está passando por essa transição. Isso se essa pessoa não for a gente mesmo. O que, no meu caso, é a mais pura verdade. De fato, vivemos em uma era que, além de nos permitir tomar tal atitude, nos incentiva a tal busca. Ao ouvirmos histórias inspiradoras de pessoas que abandonaram tudo e estão na procura da felicidade, é muito difícil que não nos sintamos igualmente inspirados a fazer o mesmo. Mas até que ponto isso é saudável? Como fazer essa busca sem abandonar o que nos mantém de pé hoje?

Em um mundo extremamente efêmero e transitório, fica cada vez mais difícil planejar uma vida de médio e longo prazo. O que quero hoje, talvez não seja o meu desejo de amanhã. O que eu amo hoje, talvez amanhã apenas goste. O que me motiva a agir agora, não é o que me mantém em movimento amanhã. E agora, como planejar uma vida, se o planejamento precisa ser revisto frequentemente?

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[ Imagem: reprodução ]

Esse não é um texto apenas com perguntas, pois seria muita maldade minha fazer isso com vocês. Existem algumas respostas que, pelo menos para mim, fazem algum sentido, mas isso não significa que também farão sentido para vocês.

Como avançar sem perder a base que nos mantém hoje?
Lembrem-se da pose de um guerreiro. Ele sempre está posicionado de forma em que o pé de apoio se mantém firme e estável, enquanto o pé da frente avança e ataca o seu oponente. Com a nossa vida deveríamos fazer o mesmo. Termos consciência da nossa base (família, reserva financeira, amigos, espiritualidade, etc) para então avançarmos gradualmente. Se o guerreiro se posicionar com ambos os pés alinhados e para frente, certamente haverá instabilidade e qualquer movimento contrário irá desequilibrá-lo e, muito provavelmente, o fazer cair. Ao iniciarmos a busca por um novo caminho, a vida também vai nos empurrar de volta, por isso, crie sua base e mantenha-se firme.

Como planejar uma vida em tempos líquidos?
Se o mundo hoje muda mais rápido do que antigamente, o desafio não é criar um projeto de vida que se mantenha igual durante 30, 40 ou 50 anos, mas sim criar um modelo de vida que seja facilmente adaptável a essas todas essas mudanças. Eu acredito que elas serão cada vez mais frequentes e aceleradas e a minha estratégia para que eu consiga me adaptar a elas é ter consciência daquilo que permanece igual, independente do contexto: os meus valores e ideais enquanto SER humano. Se eu me mantenho consciente e lúcido sobre os meus valores, certamente conseguirei me adaptar a esse admirável mundo novo ansioso.

Em tempos onde até mesmo os amores são líquidos, eu acredito que o melhor ingrediente para que possamos reinventar as nossas relações, seja interpessoalmente, ou a nossa relação intrapessoal, é estarmos convictos daquilo que não se altera, não se move, da nossa base. Os nossos valores são os novos líderes da nossa vida. São eles que vão nos guiar e nos permitir mudar de direção. Sempre que isso se fizer necessário.

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