Tinha um arco-íris na janela

Leia ouvindo: King of Convenience – My Ship ins’t Pretty

Aprendi com a minha avó: olhe para a natureza. Aliás, cresci no meio dela. Com balanço preso na árvore, brincadeiras no pé de goiabeira e soneca de baixo de uma formosa jabuticabeira. Minha ligação com Deus nunca foi em igreja mas sim com o pé na grama, o som da cachoeira, a linha do horizonte no mar. Coisa minha, apesar de ter nascido numa família católica.

Lá em casa ficamos em festa quando chega maio e suas flores. Minha mãe e minha avó colecionam várias cores das famosas flores de maio. Existe também uma coleção imensa de violetas e orquídeas herdadas do meu falecido avô. É até bonito de ver como essas coisas, entra ano e sai ano, não mudam. A festa é a mesma.

Foi um desses dias que faz sol e depois vem a chuva que tudo aconteceu. Foi mágico, porque são essas pequenas coisas que fazem a gente acreditar um pouco mais na vida. É o doce em meio ao amargo. Não consigo esconder tristeza lá em casa, minha avó estava na cozinha preparando o café da tarde e percebeu meu olhar cabisbaixo. Logo começamos conversar e contei como as coisas desandavam para o lado de cá. Era mais um daqueles dias que a gente costuma chamar de ruim.

{ Imagem reprodução }
{ Imagem reprodução }

Minha vó sempre muito católica, veio me contar histórias de Deus, de milagres e claro, tentar colocar um pouco mais de esperança dentro do meu coração. Não estava fácil, mas bastou ela começar a falar de Deus que a chuva começou a diminuir, e começava a formar ali na janela da cozinha um mini arco-íris. Nos olhamos e rimos, Deus estava realmente ali.

Ficamos em silêncio, de mãos dadas e olhando uma para outra. Quantas coisas ela já havia passado na vida? Quais histórias nunca tinha me contado? Qual era seu maior segredo? Qual era o seu maior medo? O que movia aquele coração? E o mesmo ela devia se perguntar sobre mim, mas em silêncio nos entendemos e percebemos que Deus está do nosso lado quando menos imaginamos.

É no cotidiano que ele aparece em pequenas poesias, seja no arco íris na janela, seja na linha do horizonte, nos beijos de bom dia, na proteção ou em qualquer cena cotidiana da vida. Toda vez que me sinto sozinha, por estar longe de casa, família e amigos eu me lembro do arco-íris lá de casa e me sinto abraçada.

Em tempos de guerra precisamos buscar em paz, na solidão um abrigo quente, na fé a esperança que falta e no dia-dia a poesia que passa desapercebido. É ali, na simplicidade, que a gente encontra Deus.

Assinatura_Juju

Juliana Manzato
Últimos posts por Juliana Manzato (exibir todos)

Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Voltar ao topo