Torre de babel

Estamos em pleno século XXI, com infinitas possibilidades de se expressar e de se comunicar.  Nunca foi tão fácil dizer o que se pensa: e-mail, redes sociais, mensagens instantâneas, telefonemas com tarifas zero, videochamadas, blogs,…Sim, exatamente como faço agora. Só não fala quem não quer.

Aprendi que, para haver comunicação, é necessário que haja um transmissor, uma mensagem e um receptor. Mas aprendi também que existem os ruídos. E quanto maior o volume de comunicação, seja ela de qualquer natureza, mais interferências acontecem. Nós estamos nos deliciando com tantas plataformas para falar, mas não prestamos atenção se estão nos ouvindo. Ou melhor, se estamos sendo, de fato, compreendidos.

Falar não é simplesmente articular pensamentos em textos ou em forma verbal. É preciso clareza, coesão, objetividade – que, confesso, às vezes me falta na ânsia de querer falar tudo. O mesmo serve para ouvir. Não basta um par de ouvidos, sonsos e dispersos. Tem que haver interesse e concentração.

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Não digo nem de entendermos uma teoria de física quântica ou uma discussão sobre índices econômicos. Estou tentando falando de conversas daquelas que temos todo dia: nas mesas de bar, nas reuniões de trabalho, nas conversas com o namorado(a), nos papos tortos do elevador, no pedido ao garçom, no almoço de família… Uma infelicidade de escolher tal palavra, uma frase mal interpretada, uma sentença mal construída e pronto. Já não existe mais comunicação. Uma vez que transmissor e receptor deixam a sala, o que acontece são pessoas que estão apenas falando sozinhas. Gritaria.

Os ruídos somos nós mesmos, que não paramos para ouvir, para pensar para falar. Aproveitamos com abuso de tudo que temos à nossa disposição por acharmos que as palavras ao vento (tanto para quem fala, quanto para quem não escuta) são a melhor solução para sanarmos essa necessidade louca de bater no peito e dizer “eu falo o que penso”.

Minha sensação é de estar em uma confusa e barulhenta torre de babel, onde só o que queremos ouvir é a nossa própria voz.

Se é que vocês me entendem. E eu espero que sim.

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