Um brinde às boas recordações

Leia ouvindo: The Rolling Stones – Wild Horses

Um sono sem fim exigia que meu corpo deitasse, que o edredon fosse puxado e os olhos fechassem por alguns segundos, por algumas horas. O coração precisava descansar, pra ser feliz, para ser mulher, pra ser eu.

Alguns segundos no meu próprio universo particular para voltar a se encontrar, buscando forças para um dia comum.

Afinal, o que eu quero dessa vida? O que eu preciso dessa vida? Quem eu preciso ser? Quem eu preciso ter? Essas incógnitas que nos levam para um lugar meio que sem rumo e sem direção.

O mundo muda o tempo todo e nos é exigido coisas que nem mesmo sabemos como compreender. Mas, no fundo, tudo o que quero é que a música romântica toque no rádio e eu possa ser levada para um lugar onde a tempestade termine.

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[ Imagem: reprodução / Pinterest: cotidiano dela ]

Ser levada para uma casinha escondida no meio do mato, com pintura a ser refeita, poucos móveis, muitos prêmios. Ser acordada com o cantar dos pássaros, o rugido dos animais, com a brisa suave do orvalho.

Ser levada para uma casa na praia com aquela vista do porto, com as luzes osciladas pelo mau tempo. A janela de vidro fechada. A chuva que exige o corpo debaixo das cobertas. Um chocolate quente. Um sorriso.

Ser levada para aquela casinha no meio do morro perto da universidade e vasos colocados em todos os cantos, como se o jardim não fosse suficiente. Lugar onde a televisão nem faz falta e o corpo descansa deitado numa rede de balanço, acompanhada de um bom livro.

Lugares recheados de sorriso e falta de expectativa, onde o prazer entra e invade o corpo. Estremece as pernas, faz o ar faltar.

O corpo exigiu e fui de volta para as lembranças mais simples, mais bonitas, onde não havia exigências do que eu vou ser quando crescer, ou de quanto dinheiro tenho na carteira para preparar o almoço.

A cabeça exigiu tanta coisa que nada mais importaria no final das tantas. Parei de fazer as contas: aluguel, gás, celular, tudo ficou pra trás quando as boas recordações invadiram a alma e exigiram seu espaço e o cansaço fez o sono chegar.

Luiza Pellicani
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Luiza Pellicani

Jornalista que perdeu o filtro quando nasceu. Fala e faz o que dá na cabeça. É apaixonada por jornalismo, escrita, música, vida e por pessoas. Balada é comigo. Cinema é comigo. Netflix é comigo. Família é comigo. Nos amores, aproveite, as coisas podem mudar. E não esqueça, máxima do 8 ou 80 não funciona comigo.

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