Um motivo para sorrir | O pé de Romã

Leia ouvindo: Lisa Mitchell – Wah Ha

Já faz pouco mais de dois anos que no quintal da casa dos meus pais foi descoberto um pé de romã. Ficamos em êxtase com a notícia, afinal, aquele pequeno pé de romã iria se juntar as demais árvores, mangueira, jabuticabeira e laranjeira.

Aquela pequena muda acabou roubando a atenção da família, artigos de como cuidar do pé de romã foram lidos insistentemente. A pequena poda, a quantia de água, com ou sem sombra, e o principal, os frutos. Uma expectativa enorme foi criada em cima do pequeno pé de romã.

Depois desse cuidado todo inicial, o pobre pé de romã saiu da rotina dos meus pais e caiu no colo da Dona Julia, minha avó. Com todo amor do mundo regou, cuidou, conversou e até podou o pé de romã, que já não era mini e crescia forte. As primeiras flores apareceram, um ensaio para frutos também, mas não ia ser dessa vez. Uma tropa de formigas acabou com ele e com toda aquela esperança de folhas novas, flores e frutos. Ficamos arrasados! Queríamos arrancar o pé de romã de lá por acharmos que ele havia morrido. Mero engano.

Dona Julia estava lá, todos os dias junto ao coitadinho, cuidando, regando, conversando. A cada visita minha ela corria para mostrar os novos brotos e folhas. Era bonito de ver aquela esperança renovada e o brilho no olhar.

Roma

[ Imagem: reprodução ] 

Num certo momento, o pé de romã já havia passado da minha altura, estava com folhas verdinhas e flores. Pouco tempo depois voltei para a casa dos meus pais e logo entro na cozinha, percebo em cima da mesa um enorme romã. Olhei para ele e em seguida para minha avó, sentada em sua cadeira. Meus olhos encheram de lágrimas. Sim, aquele enorme romã foi fruto daquela pequena muda, encontrada ao acaso no quintal de casa.

A minha emoção não foi pela fruta em si, mas pela persistência da minha avó diante da desistência de todos. Quando tudo parecia perdido, ela foi lá e colocou um pouco mais de amor. Amor é paciência. É acreditar em frutos sem nem saber ao certo se haverá colheita. É fazer a sua parte de coração cheio e vontade própria. O motivo do meu sorriso hoje é ter vivenciado uma simples prova de amor.

O motivo do meu sorriso também foi minha reflexão. Quantas coisas deixamos de lado por acharmos que chegou seu fim? Quantas e quantas vezes deixamos de insistir no amor? Quantas vezes não deixamos o tempo agir? Quantas outras vezes não brigamos com o tempo? Somos egoístas demais na entrega e rápidos demais na partida.

Que entre pés de romãs e amores mal cuidados, o amor aconteça e prevaleça. Porque é do amor que nascem bons frutos.

2015_Ju

Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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