Um sim

Leia ouvindo: Yuna – Tourist

Se pararmos para analisar, tudo no mundo começou com um sim. Nos apegamos tanto ao ‘não’ que a palavra mais positiva de todas quase não é lembrada. Somos injustos demais com o sim, afinal é exatamente ali, quando você diz essa palavrinha de três letras, que você escolhe qual caminho vai seguir.

Eu não havia me atentado ao ‘sim’ até ele chegar. Eu disse ‘sim’ quando ele me roubou da pista de dança. No segundo dia e nos outros eu optei pelo ‘não’, carregado de medo, insegurança e um certo egoísmo da minha parte. Não queria fazer tentativas. A vida estava boa, o trabalho me fazia feliz e depois de algumas frustrações é natural querer um tempo para si. Qualquer oportunidade vira uma ameaça.

Mas os astros pareciam estar carregados de sorte, e ele insistiu no meu ‘sim’. O ‘não’ ele já tinha. Não para um próximo encontro, não para um sorvete, não para assistir um filme em casa ou ir ao cinema, não para o próximo beijo e um não para a festa do final de semana. E ele insistiu em todos os dias que eu falei não. Ele era tentativa. Eu era corte.

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[ Imagem: reprodução ] 

Ele não me levou para a beira do abismo, fazendo promessas de um futuro bom. Ele me deu a mão, um abraço e a certeza do que queria. Achei bonito as mãos dadas, mas chegar na beira de qualquer abismo me dava calafrios. Corri para o mundo.

As vezes é melhor deixar a poeira baixar, ir dar uma volta, viver a vida que se tem, aproveitar uma festa, um final de semana em silêncio. É melhor deixar a vontade vir, espontânea, cheia de si e carregada de certezas. Você volta a pensar nas mãos dadas, no abismo e na possibilidade de voar.

Foi inevitável, depois de intermináveis ‘nãos’, eu novamente disse sim. A possibilidade de voar falou mais alto. Era começo de primavera, era festa e de novo ele me roubou da pista de dança. De novo nos beijamos como na primeira vez. E pela primeira vez depois de muitas tentativas, o dia seguinte era dele. E todos os seguintes a esse se tornaram nossos.

Ele foi a melhor das insistências, de longe a minha melhor escolha. Ele me fez refletir sobre todos os ‘nãos’ que falei/pensei e me fez ter mais certeza que naquele primeiro ‘sim’ eu tinha feito a coisa certa. Mais do que nunca acredito que as linhas tortas do cara lá de cima são certas, que a felicidade bate na porta mais de uma vez e que o ‘sim’ é de longe a melhor das resposta. Felicidade, sim. Bem-vinda!

 Assinatura_Juju

Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

3 comentários em “Um sim

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