Uma dose de amor próprio!

Leia ouvindo: Adele – When We Were Young

Eu pensei por muitos dias antes de tomar qualquer decisão. Foram dezenas de noites em claro, sobrecarregando o meu lado racional, questionando os prós e contras daquela situação, mirando o futuro caso a decisão fosse pelo ‘sim’, e mais ainda, caso optasse pelo ‘não’. Quem fica normalmente pensa que aquele que partiu está inteiro, bem e feliz! Que engano! Quem parte, deixa sempre mais do que a metade e leva consigo a dúvida eterna de ter tomado a decisão correta.

Eu queria ser honesta e lembrar a ele de todos os momentos bonitos que vivemos juntos, fazer com que essa separação não fosse tão dolorida, que vislumbrássemos os dias melhores que nos aguardavam, que pudéssemos compreender que aquele ponto final não precisava ser um calvário. Falei com delicadeza, vi seus olhos encherem de lágrima, vi suas mãos segurarem meu rosto e sua boca repetir o pedido que ecoou na minha mente por dias e dias. ‘Me dá mais uma chance’, era o que ele dizia!

Eu levantei bem devagar, dei a ele o último abraço, mas, intimamente, desejei que o tempo pudesse parar naquele momento, até que aquele encontro de almas fosse o suficiente para curar o coração daquele rapaz que eu deixava morando no meu passado. Quando o soltei, senti um formigamento tomar cada parte do meu corpo e entendi que era a hora de seguir em frente.

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[ Imagem: reprodução ] 

Ele não foi um companheiro ruim. Me fez feliz enquanto estávamos juntos, foi honesto na maioria das vezes, me ensinou coisas lindas e quis aprender comigo também. Viajamos, conhecemos a família um do outro, fizemos parte de momentos muito felizes e também de muita tristeza. Era ele quem estava ao meu lado, segurando a minha mão, quando perdi o meu avô. Fui eu que, com agonia, aguardei longas horas na sala de espera daquele hospital até que ele voltasse da cirurgia de urgência. Foi dele o primeiro abraço que dei pra comemorar a minha formatura da faculdade, foi comigo que ele vibrou quando a sobrinha nasceu.

Sim, vivemos uma história linda! Demos certo, funcionamos! Mas nos últimos meses, meu coração passou a palpitar diferente. Aquela paixão avassaladora do inicio, deu espaço a um carinho singular, desses que sentimos somente por quem vai ficar pra sempre em nossas vidas, mas não por quem queremos dividir a casa, a cama, os filhos. Eu não conseguia, ainda que me esforçasse muito, me imaginar ao seu lado no futuro, não era mais capaz de fazer planos. O fogo do desejo levou um balde de água fria. Seu beijo perdeu o gosto, nossos corpos não faziam mais questão de se encontrar, éramos bons amigos de alianças iguais nos dedos.

Eu sou uma mulher livre! Fui criada pra jamais abrir mão dos meus sonhos, da minha felicidade. Nada nesse mundo me assustava mais do que viver uma vida mediana. Eu não merecia isso, ele muito menos. Depois de muito pensar, resgatei o que me sobrava de coragem e fui até lá lutar pelos nossos dias melhores. Quando saí de casa, ouvi seu soluçar alto porta adentro e meu coração, ainda que ferido pela dor daquele homem, batia aliviado. Intimamente eu sabia que, no futuro, ele me agradeceria por ter sido forte por nós dois.

Quando partimos, destruímos o mundo do outro, mas na realidade, estamos dando a quem fica a nobre chance de recomeçar, de ser ainda mais feliz. Eu descobri que ir embora também era um ato de amor. Do mais puro, sublime e inteligente amor! O amor próprio! Nenhuma solidão merece guarida, muito menos a que é vivida a dois! Era hora de seguir viagem!

Mayra_2015

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