Uma taça de vinho

Leia ouvindo: Boots of Spanish Leather (Bob Dylan) – The Lumineers

Meu infinito particular é uma verdadeira bagunça. Minha vida, problemas, alegrias, tristezas, conquistas, fracasso, enfim, tudo é meu. Não é fácil todo santo dia sair da cama mesmo fazendo com o quê mais gosta. Lidar com outros infinitos particulares durante o dia e muito menos administrar egos já inflados.

Mas a bola da vez é o recalque, incomodar o outro sendo superior por estar em um camarote ou no denso inverno de NY. Queremos esconder a bagunça e mostrar a alegria, o sucesso e certa superioridade. O sorriso não é verdadeiro, é de provocação. O relacionamento é status, ali no facebook e na vida, ser solteiro para muitos é uma vergonha. As fotos do “sucesso” são compartilhadas constantemente em redes sociais. O desabafo da vida mudou da terapia – bem vinda da psicologia – para o muro de lamentações nas redes sociais. A moda é tudo aquilo que faz números, ser fitness dá seguidores no Instagram. Viajar o mundo também. Coachella é desejo. Fotos no espelho mesmice. Look do dia é cotidiano. E eu me pergunto, onde está à poesia?

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Não é a poesia da escrita, é da vida mesmo. É tirar a foto do seu ângulo, sem querer seguir uma modinha ou pensar na audiência que isso vai te dar. É encontrar o amor e querer estar com ele sem se preocupar com um status de facebook ou medo da solidão. É não se preocupar se é recalque, inveja ou maldade, não há mal que sempre dure e coração do bem é protegido, basta acreditar.

Precisamos aprender a viver, a sair mais na rua, a contar menos da própria vida para os outros, é ficar em silêncio, tomar uma taça de vinho depois de um dia ruim. A poesia está onde você está. Não é sobrenome que te deixa melhor do quê os outros, nem dinheiro, nem números de audiência e muito menos o tipo que se faz. Todos somos iguais diante das dores do mundo, o quê muda são os valores que damos para tudo aquilo à nossa volta.

Pode soar como falso moralismo, mas não é. São algumas conclusões e devaneios tirados da última taça de vinho que tomei depois de um dia ruim. Eu também me perco de mim, me vejo dando importância à coisas pequenas, olhando para lados contrários, abraçando causas que quase ninguém acredita, errando muito e sendo especialista em dar murro em ponta de faca. Já sei que nada disso tem mais importância do quê um coração guia. Não acredito em teorias, acredito no coração para mudar uma vida ou o mundo.

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

4 comentários em “Uma taça de vinho

  1. Que lindo. Uns dos mais tocantes que li. Talvez pelo meu momento. Talvez pela identidade imediata com o que li…

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