VAI COM MEDO MESMO

Enquanto a gente não preenche o interior, o exterior pode ser facilmente destruído por uma agulha.

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Leia ouvindo: Gilllian Welch – The way it goes

Falar sobre amor sem antes pensar no amor próprio é como encher uma bexiga de festa. Quando olhamos pra bexiga, ela está lá, toda colorida, cheia, bonita, volumosa, mas por dentro, nada, vazio. Enquanto a gente não preenche o interior, o exterior pode ser facilmente destruído por uma agulha.

Amor próprio foi algo que me faltou desde adolescente, quando comecei a ter percepções que a nossa criança interior ainda não entende muito bem. Amor próprio vai muito além de olhar no espelho e se achar bonita. Tem a ver também com confiar nas nossas capacidades intelectuais, saber quais são nossos pontos fortes e fracos, entender nossos desejos e sonhos e poder mudá-los sempre que achar necessário, confiar em nós mesmas, se posicionar por aquilo que acreditamos, nos reinventar, resumindo… autoconhecimento.

Toda essa descoberta não acontece de um dia pro outro. Leva tempo, maturidade e exige resiliência.

Fotografia: Juliana Cambiucci 

A fase crítica sobre a minha falta de amor próprio começou quando me dei conta de que não estava feliz com a minha profissão. Algo que é completamente normal nos dias de hoje.

Normalmente, nossas escolhas profissionais acontecem lá pelos 18 anos, uma idade extremamente precoce para entender o que queremos fazer para o resto de nossas vidas. Ainda não entendemos nossas verdadeiras vontades e necessidades, o que realmente vai nos fazer feliz e acabamos seguindo o que nossos pais, familiares e outras pessoas influentes na nossa vida acham que é melhor pra nós, o que vai dar mais estabilidade, o que vai dar mais dinheiro. Eles só querem nosso melhor, mas nem sempre o que é melhor para eles, é o melhor para nós.

Eu só sabia ser veterinária, o que eu iria fazer da minha vida se não sei fazer outra coisa? A falta de amor próprio não deixa a gente enxergar quanto potencial e habilidades temos ou podemos desenvolver. Capacidades essas, que todos nós temos, em diferentes modalidades e áreas. Da falta de amor próprio vem também o medo que nos paralisa.

Minha vontade de me descobrir, de ser livre, de me jogar no mundo conseguiu ser mais forte do que meu medo, e não que o medo fosse pequeno, mas eu sempre acreditei naquele frase: “Tá com medo? Vai com medo mesmo”, com perninha tremendo e tudo.

Entre os muitos aprendizados e desafios, hora ou outra as descobertas aparecem, e o orgulho de si mesma também. O início é tímido, mas o tempo e as vivências só fortalecem nossos pilares.

Assim como outros amores, o próprio é feito de construção. A dedicação é diária, o acolhimento também.

Juliana Cambiucci
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