VAI-TE | CICLOS

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Leia ouvindo: Los Hermanos – Do sétimo Andar 

O que eu aprendi com os ciclos (ou) como enxergar a vida em ciclos pode ser muito mais fácil!

No dia 10 de junho completei 34 anos, um dia depois, 11 de junho, fez exatamente um ano que eu deixei o mundo corporativo oficialmente. Estas datas sempre representarão coisas muito importantes para mim, e eu quero dividir com vocês pequenos detalhes que mudaram minha forma de pensar e me comportar.

Eu sempre comemorei muito meus aniversários (mesmo). Fazia uma verdadeira festa com cada idade nova que chegava, mas quando foi a vez dos 30, da maneira mais clichê possível, tudo mudou. Para começar, eu surtei de todas as formas que uma pessoa pode surtar. Passei o dia na casa da minha mãe chorando, e quase vetei a pizza que eles queriam pedir para, “pelo menos”, não passar a data 100% em branco.

Ali chegava ao fim o ciclo onde eu me iludia com o sucesso imposto pela sociedade padrão e com conquistas que nunca foram de fato minhas. Foi com essa idade que eu comecei meu processo de coaching e transformação, que não foi simples, e tampouco está próximo de chegar ao fim – aliás, a quem possa interessar, aqui vai uma pílula da verdade: o processo nunca acaba.

Mas no último ano, depois que eu finalmente tive coragem de pedir as contas do meu emprego formal e abracei meu próprio projeto (profissional e pessoal), eu aprendi que a gente vive ciclos, e trazer para consciência que esses ciclos têm começo, meio e fim, cara, isso é quase uma benção.

Fotografia: Carol Faria

Dia 11/06/2018: eu entregava definitivamente meu crachá, assinava os papéis da rescisão, e caminhava rumo a uma nova versão de mim mesma. Ali eu precisava virar as costas para a Carol do mundo financeiro e abrir os braços para a Carol empreendedora, autônoma e carente de toda estrutura e segurança que os últimos 15 anos de profissão haviam me proporcionado.
1º grande aprendizado: quando uma fase da sua vida te estafa e chega ao fim, no primeiro momento você precisa se afastar dela. Sem olhar para trás, não revisitar, não olhar fotos antigas e não passar nem na mesma calçada onde esta fase antiga mora. Isso não é eterno, e nós vamos chegar lá, mas enquanto não correu água suficiente embaixo dessa ponte, cada um num canto. Você no seu e ela no dela. E tá tudo bem, é que agora você precisa desse tempo.

Dia 12/06/2018: o primeiro dia vivendo na sua fase nova é assustador e muito bom ao mesmo tempo, e se você for geminiana/o como eu, vai viver essas duas facetas de uma maneira bem homogênea – simplificando: uma hora feliz, outra triste, outra dando pulos de alegria, outras gritando de desespero pensando em voltar atrás, e aí repete isso o dia inteiro por uns vários dias.
2º grande aprendizado: é importante você saber que no início de uma fase nova é provável você tenha dias horríveis, pensando em tudo que pode dar errado, acessando seus medos e sombras o tempo todo, aterrorizado com a ideia de não ter nada sob controle. Também que em outros você veja a beleza de não estar mais vivendo a fase antiga e tudo o que você odiava sobre ela, esses dias serão incríveis e maravilhosos, você vai se sentir o dono do seu mundo, livre, cheio de ideias e expectativas… Pode ser que você pire, e ache que ficou maluco de vez por tanta instabilidade. Vai passar.

Dia 31/12/2018: o primeiro semestre dentro de um ciclo novo é certamente o mais desafiador. Aqui você já passou da fase de surtar como uma fera enjaulada e cantar “Adocica” às 6:00 da manhã, tudo no mesmo dia. Provavelmente o prazo que você se deu para não fazer nada, digerir o momento e lidar com a nova realidade já esgotou. Você não sabe exatamente o que fazer, mas sabe que tem coisa a vera para ser feita.
3º grande aprendizado: você praticamente volta a ser um estagiário e tem que aprender muita coisa do zero. Eu sei, você já se considerava um sênior no seu ciclo passado, mas aqui, aspira, você tá só começando a pagar para ver. Então é normal você fazer umas merdinhas, tudo dar errado,  aquilo que você planejou e projetou se comportar de forma totalmente avessa, o retorno que você havia esperado não ser concreto, e as suas grandes ideias não serem tão grandes assim aos olhos de outras pessoas. E eu não estou falando isso para te desencorajar, eu tô falando isso para você saber que é normal ter um tempo dedicado a testar, arriscar, dar a cara a tapa e colher os aprendizados do que você fez e deixou de fazer. Aqui você erra, aprende e se prepara para fazer de novo de uma maneira melhor.

11/06/2019: o primeiro ano do novo ciclo passa voando, é assustador olhar para trás e se dar conta de que você vive uma vida completamente diferente há um ano – ou seja, ela já nem é tão completamente diferente assim. É provável que você já esteja mais familiarizado com muita coisa, mas ainda sentindo-se um perfeito estranho no seu próprio ninho.
4º grande aprendizado: você deveria fazer um balanço de tudo o que fez, e do que vem pela frente. Depois de um ano você já tem informações suficientes para saber se está indo pelo caminho certo, onde precisa ajustar, se está tudo errado e você precisa parar para começar do zero outra vez (e neste caso, volte ao dia 11/06/2018, leia tudo novamente, respira e pode pirar sim! Mas saiba que em algum momento vai ficar tudo bem).

Um ano de ciclo novo vai te “forçar” a pensar: você vai se lembrar dos perrengues, de tudo que achou que seria muito difícil e tirou de letra. Tudo o que você achou que tiraria de letra e foi hard as fuck (difícil para cacete). Tudo o que você planejou e nunca aconteceu. Tudo o que aconteceu sem que você pudesse sequer sonhar. Quem ficou, quem foi embora e Graças a Deus, porque foi tarde mesmo, o que verdadeiramente importa e, principalmente, você vai perceber o tamanho da resiliência que mora aí dentro e quão criativo você pode ser em momentos de perrengue. O primeiro ano de um ciclo novo é uma escola de jardim de infância feita para quem já é gente grande. Brincadeira de adulto, saca?
Aqui você também já consegue olhar para o seu ciclo antigo, dar as mãos para ele e perceber o que ele pode agregar, afinal, você não passa por nada à toa nesta vida. É o momento de uma reconciliação pacífica e produtiva para os dois lados.

Eu não sei se você vai ser mais feliz ou mais triste neste período. Eu não sei se você vai viver estas fases de forma semelhante a mim. O que eu preciso te dizer é que o medo de mudar é geralmente muito maior do que a realidade da mudança. E também que hoje, se eu tivesse escolhido ficar na minha zona de conforto corporativa, eu não teria passado meu aniversario na praia (em uma segunda-feira), almoçado com a minha mãe e com a minha vó, tido tempo para apreciar um belo pôr do sol, e condições de estar pronta às 19:00 para jantar com meu marido. Eu não sei se isso tem tanto valor assim para você, mas olhando daqui, depois de ter enfrentado este primeiro ano com seus altos e baixos, eu posso afirmar: se eu soubesse que seria assim, eu teria feito antes, mas a gente nunca vai saber como é antes de fazer.
Então levanta e anda. Vai-te!

Com amor

Carol Faria

Carol Faria

Carol é escritora e comunicadora desde sempre. De alma livre e coração acelerado, nasceu assim, mas demorou alguns anos para entender que essa essência deveria estar em tudo o que faz.
Geminiana a dar com pau, queria ter feito jornalismo na primeira formação, já morou em vários lugares e acredita que ainda vai morar em muitos outros. tem 34 anos, é casada com o melhor amigo, gosta de tomar café na padaria portuguesa e de sorvete de pistache aos domingos. é viciada em salas de aula e de embarque, divide boa parte de seu tempo livre entre planejar viagens, viajar e ler vários livros ao mesmo tempo. fã de Chico, Bethânia, Los Hermanos e Adele. tem uma cachorra imaginária desde os 3 anos de idade, mas acredita que em breve ela se tornará realidade.
Carol Faria

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