VAI-TE | DESENCAIXADOS 

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Vez ou outra a gente se sente assim, né?
Fora de contexto, fora de cena, fora de foco, fora até do corpo. Parece que a alma descolou, que a cabeça é um peso quase que morto acumulando barulho, obedecendo comandos que você não sabe mais de onde vem, e vez ou outra até surtando em meio a perguntas que não fogem muito do inesgotável “por que?”.
Por que está tão sofrido? Por que não flui? Por que tenho a impressão que essa vida não é a minha? Por que o tempo nunca é suficiente e mesmo assim eu sinto que não fiz nada do que eu gostaria/deveria? Por que os dias simplesmente passam e eu não entendo exatamente o encaixe deles dentro de um contexto maior?
Temos engolido uma realidade que está difícil de digerir. Permitimos que os pais, os chefes, os maridos, as esposas, os grupos, a sociedade, as mídias e outros tantos pentelhos interfiram naquela que é ou deveria ser realmente valiosa em uma escala de prioridade: a nossa própria vida.
Fotografia: Juliana Manzato
Veja bem, eu não disse a do seu filho, a do seu companheiro, da sua empresa e muito menos “aquela vida” que você quer sustentar só para manter as aparências. Eu estou falando da vida que você nasceu para ter. Porque pode parecer que não, mas você veio fazer alguma coisa bem importante aqui na Terra, do contrário, acredite, você não estaria aqui.
A má notícia é que ninguém vai bater na sua porta te oferecendo respostas e soluções. Também não cessa a sensação de que você poderia estrelar uma nova temporada de Walking Dead se você seguir por aí, zumbizando a própria vida, quiça também a dos outros.
Fácil falar de fora, né? Apontando de cima para o triste cotidiano dos outros e “cagando regra” (desculpem o Francês, não consegui pensar em nada mais político para me expressar). Só que não, irmão, eu já estive lá! Vaguei por 15 anos sem nem perceber o que eu permitia que outros fizessem comigo, e o pior, o que eu mesma atraia para a minha realidade. Por isso hoje eu estou aqui, falando com muita propriedade sobre um assunto que, acreditem, eu domino: me sentir desencaixada!
O que eu posso te garantir? Dá para mudar, sempre dá! Vai dar trabalho, vai dar medo, vai dar vontade de desistir, vai doer, mas também vai valer a pena.
O mundo não muda, é você que muda e passa a enxergar as coisas de uma forma diferente.
As pessoas não mudam, é você que entende o seu valor e não aceita mais migalha.
Os problemas não acabam, mas você entende que reclamar não te leva a lugar algum e começa a aprender a partir dos perrengues.
Se você se sente desencaixado também, talvez você seja uma cafeteira tentando assar pão. Vai por mim, isso nunca funciona.
Você precisa entender que é cafeteira e focar em fazer o melhor café do mundo. Deixa o forno assar o pão, isso não é para você, e tá tudo bem!
Para de fazer o que você tem medo e começa a fazer o que você realmente quer. Para de agradar os outros e começa a se agradar. Para de olhar para o lado e para fora, tá tudo do lado de dentro.
O mundo não é uma droga, não vivemos num barranco prestes a desmoronar e as pessoas não são más, elas só estão perdidas. Desencaixadas…

Carol Faria

Carol é escritora e comunicadora desde sempre. De alma livre e coração acelerado, nasceu assim, mas demorou alguns anos para entender que essa essência deveria estar em tudo o que faz.
Geminiana a dar com pau, queria ter feito jornalismo na primeira formação, já morou em vários lugares e acredita que ainda vai morar em muitos outros. tem 34 anos, é casada com o melhor amigo, gosta de tomar café na padaria portuguesa e de sorvete de pistache aos domingos. é viciada em salas de aula e de embarque, divide boa parte de seu tempo livre entre planejar viagens, viajar e ler vários livros ao mesmo tempo. fã de Chico, Bethânia, Los Hermanos e Adele. tem uma cachorra imaginária desde os 3 anos de idade, mas acredita que em breve ela se tornará realidade.
Carol Faria

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