VAI-TE | ESSA BARRA QUE É VIVER

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Três coisas que podem te ajudar a segurar essa barra que é viver (mesmo que você já esteja cansado de listas, de textos motivacionais – e dessa barra que é viver)
Durante um bom tempo da vida eu tive a sensação de estar sempre no lugar errado.
Ia para paraísos, destinos sonhados e planejados, ano sabático, viagem dos sonhos… Tudo muito especial e bonito, mas em algum momento eu acabava recaindo sobre uma penseira profunda que fazia um barulho difícil de abafar: “Fisicamente você está aqui, mas onde está VOCÊ? Onde estão seus olhos? Cadê você no mundo? A sua alma?
O barulho era reflexo de um apanhado de coisas que, quando a gente não dá atenção, rouba a atenção da gente. É paradoxo assim mesmo.
A coisa número um: o ego. Meus amigos, pode ser um cara cão! Ele pode ser tudo aquilo que não te movimenta ou conecta. Raso, superficial, a venda… Te faz acreditar em um mundo enlatado e te joga pro caminho da boiada. O ego mau estruturado é o presidente de um país que acorda e dorme sem entender o que está acontecendo no intervalo. Você e o seu umbigo vivem felizes nas redes sociais, cuidando da vida alheia, comendo qualquer coisa, cagando pra qualquer ideia disruptiva e colaborativa, porque afinal, o teu salário é suficiente pra ostentar uma coisinha aqui e outra ali, no tempo curto e de péssima qualidade que você considera “livre”, ora pois.
Cuidado com esse cara! Mesmo se você já se deu conta que ele pode ser da pior estirpe, quando você menos espera ele te manda um “oi, sumida” e não é difícil cair na lábia barata desse cabra. E como lidar? A minha resposta eu encontrei quando entendi que a voz do ego não é a voz da alma. Ao eliminar o barulho passei a escutar o que vem do meu centro, do que faz parte do meu mapa, do que me foi dado como dom e como missão na concepção do meu caminho. Aquilo que realmente importa para mim, saca?
A coisa número dois: a falta de respiração. É o que? Isso mesmo que você leu, mas em amplos sentidos.
Respirar na meditação, abrindo espaço pra vida entrar e sair, e te transformar nesse processo. Respirar antes de falar, e cuidar do que se fala. Respirar antes de agir, e saber pra onde vai. Respirar antes de começar um dia no automático, sem tempo pra falar com Deus, pra comer decentemente, pra pensar no que fazer.
Existe uma arte em respirar que parece papo piegas do Yoga e outras condescendências, mas que a gente não realiza sobre a essência.
Do que lhe é vital, é o que em menos tempo te mata na falta. A gente tem morrido sem perceber ao negligenciar a química da respiração. Toma remédio, compra, vai para retiros, lê uma porção de livros, faz cursos… Respira, brother, respira!
Fotografia: Juliana Manzato
A terceira e não menos importante coisa do nosso combo é o medo. Quem sempre? (🙋🏼)
Rapaz, a gente tem medo de tudo! A gente tem medo de se atrasar e aí corre desembestado. A gente tem medo de errar e aí não faz. Medo de quebrar a cara e aí não ama. Medo de ser vulnerável e aí não perdoa. Medo de ser feito de trouxa e aí não se dá. Medo de não pertencer, e aí não sai da caixa. Medo do ridículo e aí não dança. Medo da dúvida da profissão nova não dar certo, e aí fica com a certeza de uma que já não está dando certo agora – porque, na dúvida, a gente também tem medo de mudar.
O medo é essa merda quentinha que vai te transformando em um ser apático, morno e sem rumo no mundo, mas tudo bem, porque o mundo é realmente grande e vai dar um trabalho danado andar por aí, não é mesmo?
A gente é criado com medo da escassez e com a ideia de que tudo bem acumular, não compartilhar, competir, trabalhar insanamente e sem propósito, desde que no final tudo esteja sob controle. Porque também tem isso, o medo te faz acreditar que você está no controle. Ilusão, Senhores, pura ilusão.
Sem sombra de dúvidas essa ainda é a coisa que mais me dá trabalho pra entender, estudar e amenizar. Meu imão, quanto medo ainda tem dentro de mim!
O que eu entendi foi que o medo é um lugar escuro que a gente não acessa, e aí esse bicho cresce. Quando você joga luz e enfrenta de frente, você sabe onde está pisando.
Pisa hoje, pisa amanhã, vê que dá pé, molha o joelho, às vezes dá um recuada, mas aí pinta uma ondinha maneira e você é capaz até de mergulhar.
O medo hoje é um exercício de todo dia. Uma dose de um remedinho homeopático que tem que tomar.
Dificilmente você consegue se curar de cara, mas quando ele não te trava, você está no caminho.
Lembra, um passinho por vez, mas segue.
O medo é foda, seja mais foda do que ele.
Pronto!
Sem mágica, mas sem mistério, eu tenho aprendido a estar em qualquer lugar e entender que exatamente ali está a oportunidade de parar, olhar pra dentro e vencer as batalhas que eu mesma crio na maioria das vezes.
De quebra, acolhendo meu ego, respirando e batendo um papo reto com o medo, comecei a ver beleza no simples, aprender com o fluxo, receber o que não estava previsto e dançar feliz qualquer que seja a música.
Veio de presente, sem eu pedir, a vida tem dessas 🙂

Carol Faria

Carol é escritora e comunicadora desde sempre. De alma livre e coração acelerado, nasceu assim, mas demorou alguns anos para entender que essa essência deveria estar em tudo o que faz.
Geminiana a dar com pau, queria ter feito jornalismo na primeira formação, já morou em vários lugares e acredita que ainda vai morar em muitos outros. tem 34 anos, é casada com o melhor amigo, gosta de tomar café na padaria portuguesa e de sorvete de pistache aos domingos. é viciada em salas de aula e de embarque, divide boa parte de seu tempo livre entre planejar viagens, viajar e ler vários livros ao mesmo tempo. fã de Chico, Bethânia, Los Hermanos e Adele. tem uma cachorra imaginária desde os 3 anos de idade, mas acredita que em breve ela se tornará realidade.
Carol Faria

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