VAI-TE | ~ “Gigantes da tecnologia buscam mais mulheres”

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Oi, meu nome é mulher e eu estou aqui para falar sobre o título deste texto, que foi manchete de um dos maiores jornais do Brasil, e também para falar sobre nós: as pessoas.
De formas práticas, ser mulher é quase a mesma coisa que ser homem, e por mais óbvia que esta afirmação possa parecer, fica claro que ela é qualquer coisa além de óbvia quando um movimento de ocupação profissional é ressaltado pelo gênero em uma manchete de jornal.
Digo isto porque mulher troca pneu, cuida sozinha de casa, provém auto sustento, estuda, enfrenta o mercado de trabalho, passa em entrevista concorrida e em faculdade disputada, recebe feedback duro, vira noites fechando Balanço e terminando apresentação para Conselho, atravessa oceanos, aprende outras línguas e faz uma porção de outras coisas que os homens também fazem – sem qualquer diferença na entrega de resultados (para ser simplista e não usar o espaço para exaltar o que entregamos com mais qualidade).

Feminismo, pelo Dicionário Jurídico da Prof. Maria Helena Diniz, traduz “Movimento que busca equiparar a mulher ao homem no que atina aos direitos, emancipando-a jurídica, econômica e sexualmente.”
Lembram que eu mencionei no segundo capítulo que ser mulher é quase a mesma coisa que ser homem “de formas práticas”, certo? De formas nada práticas e muito realistas, a gente sabe bem que ser mulher não é a mesma coisa que ser homem e, infelizmente eu não me refiro ao que de fato distingue um do outro.
Bem, Sra. Empresa Gigante da Tecnologia, se você procura por mulheres, prepare-se para encontrar pessoas bem capacitadas ou não, dispostas a rotina do dia a dia ou não, comprometidas com os valores internos do Grupo ou não, engajadas, éticas, carismáticas e responsáveis. Ou não.  Prepare-se para se deparar com os mesmos tipos de traumas, dramas, conflitos e desmotivações. As mesmas ambições, a mesma fome de crescimento, superação, reconhecimento e autoafirmação.
Prepare-se para buscar pessoas, em primeiro lugar. Para receber quem já enfrentou demônios para sentar em uma cadeira de entrevista, para quem gosta de viajar, para quem não come azeitona, para quem vai de carro, para quem prefere caminhar, para quem cria passarinhos, para quem não gosta do verão, para quem decidiu não ter filhos, para quem já tem mais de três…
Quando eu estiver diante do seu departamento de recrutamento e seleção, Sra. Empresa Gigante da Tecnologia, olhe nos meus olhos e tente perceber se você enxerga a minha obra, se você consegue ouvir a minha história, se o que eu carrego na minha mochila faz sentido.
Sabe, eu às vezes sou um pouco homem e outras um pouco mulher. Se eu tiver que ticar uma lacuna específica de gênero para me encaixar, eu me limito, e não é isso que nós, os gigantes, buscamos.

Carol Faria

Carol é escritora e comunicadora desde sempre. De alma livre e coração acelerado, nasceu assim, mas demorou alguns anos para entender que essa essência deveria estar em tudo o que faz.
Geminiana a dar com pau, queria ter feito jornalismo na primeira formação, já morou em vários lugares e acredita que ainda vai morar em muitos outros. tem 34 anos, é casada com o melhor amigo, gosta de tomar café na padaria portuguesa e de sorvete de pistache aos domingos. é viciada em salas de aula e de embarque, divide boa parte de seu tempo livre entre planejar viagens, viajar e ler vários livros ao mesmo tempo. fã de Chico, Bethânia, Los Hermanos e Adele. tem uma cachorra imaginária desde os 3 anos de idade, mas acredita que em breve ela se tornará realidade.
Carol Faria

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