Vem, me dá a sua mão

Leia ouvindo:  Youth Lagoon – 17

Estou em uma fase de não esperar nada de ninguém. Esperar cansa, decepciona, chateia e magoa. Esperar também te faz perder duas coisas preciosas, tempo e paciência. Espera é aflição. Por uma vida mais leve decidi tocar o barco, com braços fortes e remo no mar.

A leveza em não criar expectativas ou espera tomou conta de mim. A vida estava boa, a liberdade era prioridade e a diversão consequência. Foi uma dessas viagens com amigas que pela primeira vez depois de muito tempo, um olhar tinha me atraído. Estranhei. Sabia que o mar não estava para peixe e sinceramente, nunca fui boa para esse tipo de pescaria. Voltei a pensar na leveza da vida despretensiosa que levava, não seria ele que iria me tirar dali.

Quando a gente começa negar o flerte com a vida a coisa há de piorar. Onde já viu, menina! Olha a oportunidade de conhecer alguém legal, de dividir a linha do horizonte com outro olhar e emprestar os remos para uma viagem a dois. Não era nada mal um coração acelerado no final de semana. O coração acelerado pediu dispensa para a expectativa e deu a mão para a leveza. O sorriso no rosto abriu e eu decidi que era hora de parar de remar. Um descanso merecido para quem chegou até aqui.

Amigo de amigo, ele tinha acabado de chegar de uma temporada fora do país, parecia interessante, discreto, inteligente e principalmente, divertido. Foi um final de semana de risadas intensas e mar. A nossa aproximação não foi imediata, preferi manter uma distancia segura, a gente nunca sabe quando o tempo pode virar  e perder boas oportunidades a essa altura da vida é burrice.

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[ Imagem: reprodução ]

Era sábado de festa à beira mar, sempre achei lual romantico demais para mim e sabia que acabaria saindo de lá cedo para dormir. A desculpa de sempre? A estrada do dia seguinte. Eu só me esqueci que assim como o mar, a vida também muda. Com amigos animados a diversão acontece e a nossa festa foi assim, de risadas, abraços, histórias, música e euforia, uma mistura boa de emoções.  Foi nesse auge que ele me pegou pela cintura e chamou para dançar.

– Vem, me dá sua mão.

Eu que achava aquilo tudo uma verdadeira besteira, me vi conduzida em uma dança. Um trançar de pernas bonito em duas linhas infinitas que decidiram se misturar. O beijo não foi surpresa, procurar o melhor lugar para assistir o nascer do sol na praia, sim. Parece mágica quando um desconhecido chega e te tira para uma dança e ainda consegue as suas risadas mais sinceras. Deus tem dessas surpresas amarradas com laço vermelho.

– Quando eu te vejo de novo?

E assim, a expectativa veio ao meu encontro e a espera para vê-lo de novo também chegaria, de mala, cuia e coração. Foi nesse dia que a vida me deu uns belos tapas na cara e a leveza me disse que o peso faz parte. A gente jura que não vai criar expectativa de novo, se entregar mais um pouco, esperar por alguém e por fim, daquilo que mais fugimos é exatamente onde acontece.

O mar pode não estar para peixe, mas o coração sempre vai estar para amor. Não é lógico ou temporal, é vida.

Assinatura_Juju

Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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